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Chorar faz bem

Desconfie de quem não chora. Essa história de que homem não chora, de que chorar é sinal de fraqueza ou de frescura é uma bobagem. Se, em pleno século XXI, ainda há quem pense assim, coitado. Só isso que tenho a dizer.

Chorar é uma das maiores expressões de um sentimento verdadeiro. Seja a tristeza, o pesar, a saudade ou a alegria. Nunca achei normal uma pessoa nunca chorar. Há pessoas que acho que nem sozinhas choram. Pra onde vai a angústia delas? Sim, porque todo mundo sente, vez ou outra, uma necessidade de expulsar certas coisas! E olha, chorar pode ser a melhor forma de fazer isso… A vida é tão curta e o tempo tão implacável… Deveríamos ser menos duros, menos fechados.

Eu choro. De alegria, de tristeza. Quando me magoam ou quando me agradam. Choro quando vejo filme e até em certos comerciais de televisão. Choro quando vou a um casamento de quem gosto muito e quando um amigo sofre. Choro em formaturas… até mesmo se eu não conheço os formandos. Eu me emociono. Sempre me emocionei com a emoção dos outros. Não sei se isso é bom ou ruim. Há tempos eu tentava esconder. Sabe né… adolescente precisa parecer indestrutível. Mas a vida ensina. Não para todos nós na mesma hora, mas ensina, cedo ou tarde. E eu, a cada dia, fui me tornando mais emotiva. Ainda bem! Quantas emoções eu teria perdido se tivesse continuado sufocando o que sentia…

Não tenho vergonha que me vejam chorando. Vergonha eu teria de ser uma pessoa seca, sem sentimentos. Meu choro não é nem nunca será fraqueza. Meu choro sempre foi a transparência dos meus sentimentos.

E tu, choras o suficiente?

Antes de partir

O último filme que vi chama-se Antes de Partir. Com Morgan Freeman e Jack Nicholson - fera - nos papéis principais, o filme mostra a história de dois homens aparentemente muito diferentes que se conhecem no quarto de um hospital, ambos realizando tratamento para câncer. Nicholson era dono do hospital. Rico, genioso, divorciado várias vezes, aquele tipo… Freeman, um pai de família, casado há anos, mecânico de automóveis. Um belo dia o médico dá a sentença. Ambos teriam no máximo um tanto de meses de vida (não vou contar tudo, vejam o filme). Antes disso, um deles havia rabiscado uma lista de coisas que gostaria de fazer antes do fim. A lista da bota. Algo assim. Pra resumir, eles resolveram cumprir a tal lista. É claro que dinheiro ajuda nessa hora e eles viajaram muito, conhecendo lugares maravilhosos e experimentando as mais interessantes aventuras. Mas, nem todos os itens da lista precisavam de dinheiro para serem cumpridos… E é aí que está toda a magia da mensagem do filme. Para mim só reforçou tudo aquilo em que acredito. De que adianta juntar fortuna, ter carrões, comer as comidas mais caras se formos sozinhos? Todas as coisas materiais perdem o sentido quando sabemos o dia da nossa morte. Parece que só assim alguns de nós percebe o que realmente é importante.

O personagem de Freeman, ao voltar para casa após a viagem olha para a família ao redor da mesa e ali percebe o que realmente ele não podia deixar de fazer antes de partir.

E tu? O que gostarias de fazer antes de bater as botas? (aguardem minha próxima lista…)

O Dia

Não posso dizer que não tenho mais pai. Seria estranho demais. Todo mundo, até quem nunca o conheceu, teve pai. Então, embora o dia de hoje já não seja como há dois anos, continuo tendo pai. Não ao meu lado, ao alcance de um abraço, mas ele continua sendo meu pai. Já não me ocupo mais de pensar em qual presente comprar, mas ele continua sendo meu pai.  

Lembro do dia dos pais de 2007. O primeiro que meu pai passou longe de mim. Fisicamente longe, ao menos. Quando a tristeza vem me buscar, tento me apegar aos 26 anos que vivi ao lado dele. Tento não pensar naquilo que não fiz, mas sim no que consegui fazer junto dele. Confesso que não é fácil. Mas a vida não é mesmo fácil. Muitas vezes temos que nos acostumar com a ausência de pessoas queridas. Temos que nos acostumar com a dor que isso causa e seguir em frente. E o mais impressionante é que, independente de qualquer sofrimento, sempre haverá momentos felizes e momentos que nos fazem agradecer por estar vivo.  

Sinto isso quando caminho sob o sol. O sol me aquece, me abraça. O sol sempre tem o poder de tornar tudo um pouco mais fácil. Os bichos também me fazem bem. Quando olho meu bichano, com seus olhos azuis opacos pela idade, seu pelo embranquecido e seu ronronar constante, é como se nada existisse além disso. Olho pra ele e penso: como deve ser bom ser um gato. E minhas cadelas? Sempre felizes e abanando os rabinhos. Sua maior felicidade é quando minha mãe ou eu falamos e brincamos com elas. Para os animais é sempre muito fácil ser feliz. Porque para alguns de nós não é?

Acho que o que mais me enche é isso. A incapacidade que a maioria das pessoas tem de enxergar as coisas boas. Só reclamam e criticam os outros. Só lamentam por sua vida, sem mover uma palha para mudar. Ou porque julgam que não precisam ou porque acham que não vale a pena. Estou reclamando? Não. Só me dei conta de que acabo absorvendo essas energias negativas dos outros e por isso, inúmeras vezes, acabo agindo da mesma forma. Tenho convivido com pessoas assim. Uma esteve dentro da minha vida e do meu coração por muitos meses… outra continuará fazendo parte da minha vida até a hora em que tivermos de nos separar. Hoje vejo tudo isso com clareza. Os acontecimentos me tornaram uma pessoa mais tolerante. Por vezes até demais. Passei por cima dos meus sentimentos para ajudar alguém que era mais frágil do que eu e, sem perceber, passei a fazer isso com todas as pessoas. Acostumei-me a calar, a entender, a perdoar. Até mesmo quando não me pediam perdão e, inclusive, não mereciam perdão. Talvez eu tenha errado. Provavelmente eu tenha cometido muitos erros. Mas me consola saber que nenhum deles foi cometido por maldade.

Então, poxa vida, mesmo que nossa realidade não seja a ideal, vamos dar mais valor ao que temos aqui e agora. E, principalmente a quem temos perto de nós. Há quase dois anos descobri que meu pai não era eterno. Doeu muito, mas me ensinou muito também. Hoje dou valor a cada pequeno momento vivido, a cada sorriso, a cada pessoa que faz parte da minha vida. E não me arrependo. Mesmo quando algumas pessoas não entendem o quanto isso é importante. Cada um tem o seu tempo para aprender. É preciso aceitar isso.

Feliz dia dos pais a todos que são ou que um dia serão…

Listando sonhos e realidades

Listas.

Como sou muito esquecida, costumo fazer listas para lembrar das coisas. Tenho uma amiga, colega de trabalho e de profissão, que costuma fazer o mesmo. Foi inspirada em um post dela que resolvi fazer algumas listas diferentes…

Ta bom que uma lista pode não passar de um monte de baboseiras enfileiradas, mas prefiro pensar que ao listar o que preciso ou quero fazer ou ser estou organizando essas tarefas/objetivos em meus pensamentos. A organização é o segundo passo para a realização. Que tal?

Well, seguindo a linha do Random Things, aí vai a minha lista de coisas (ou não tão coisas assim) que quero fazer/ter/ser/sentir/etc…

- conhecer a Grécia, Espanha, França e mais um monte de lugares que tenho vontade
- viajar com um monte de amigos no estilo mochilão
- viajar sozinha. Aquelas viagens do tipo “fui para me encontrar” saca?
- pular de pára-quedas
- voar de balão
- fazer uma pós-graduação ou mestrado, ainda não sei…
- evoluir na minha profissão
- fotografar cada vez mais
- ter uma câmera reflex e muitas lentes
- ganhar uma festa surpresa de aniversário
- conquistar mais amigos e manter os que tenho bem perto de mim
- buscar sempre o melhor lado das pessoas
- ser mais otimista
- absorver menos as energias ruins dos outros
- vender a minha casa e morar num ap que eu vou decorar
- ter um labrador cor de caramelo
- escrever mais
- ter um guarda-roupa com um espelho maior do que eu em uma das portas
- organizar minha conta bancária : /
- aprender o que é bom e descartar o que é ruim
- saber identificar melhor quando é hora de desistir de algo ou alguém
- dominar a preguiça
- emagrecer mais
- fazer exercícios
- voltar para as aulas de dança de salão
- estudar mais Inglês
- tomar coragem para fazer uma tatoo
- ajudar sempre quem precisar
- comprar um som para o meu carrinho
- fazer terapia
- ser menos descrente
- passear mais junto à natureza
- comer menos doce
- fazer yoga
- fazer trabalho voluntário com gente e com bichos
- dizer “eu te amo”
- ouvir “eu te amo”
- me apaixonar
- encontrar A pessoa
- me acostumar com a saudade sem sofrer demais
- parar de tentar entender o impossível
- imprimir todas as fotos que já fiz
- reencontrar meu pai
- e chega porque do contrário fico até amanhã escrevendo…

broken everything

 

Esse eu vi no blog da Jhuly

Lugares e pessoas

Queridos amigos numa noite divertida

É preciso ter força de vontade para tudo nessa vida. Mesmo quando só temos vontade de ficar dormindo, vale a pena fazer um esforço e levantar da cama para ir trabalhar. Quem pode saber o que aquele dia nos reserva? Mesmo que seja difícil tomar decisões e dizer certas coisas, temos que pensar sempre que não são somente as nossas preferências que importam. É preciso lembrar que nossa vida é feita de relações e que precisamos sempre respeitar o sentimento do outro. És eternamente responsável por aquilo que cativas, já disse o Pequeno Príncipe certa vez…

Meus amigos, para minha sorte, sabem disso. É e sempre será muito melhor estar com eles do que me isolar no meu quarto para remoer minhas dores e problemas. As pessoas são o que de mais importante podemos ter nessa vida. Não quero que nada nem ninguém me roube essa certeza.

Batman: mais real do que nunca

Então que no último sábado eu fui ao cinema ver Batman - o Cavaleiro das Trevas. Quando, em 2005, eu fui a uma sessão de Batman Begins com uma amiga, confesso que entrei descrente na sala escura. “Ah, é mais um filme de super-herói de histórias em quadrinhos…” Ledo engano. Fui positivamente surpreendida pela bem construída história do homem-morcego.

O que é interessante no Batman é que, ao contrário de outros personagens do tipo, ele é inteiramente humano. Absurdamente forte e resistente, ok, mas humano. Não é um extraterrestre com poderes especiais nem sofreu mutações genéticas. Tem um super carro, uma super moto, super equipamentos… É um herói high-tech. E rico. Beeem rico. Pense nisso. O Batman não é um menino pobre que virou herói. Ele é até renegado pela sociedade de Gotham.

O mais recente filme não deixou a desejar. Conseguiu manter minha atenção durante os escuros 153 minutos de duração. Sim, o filme é bem escuro. Pois, todo mundo sabe, o homem-morcego age à noite. A escuridão era quebrada, vez em quando, pelas cenas na cobertura de Bruce Wayne ou no super laboratório no qual ele e seu mordomo escondiam a armadura e os demais apetrechos do Batman. O legal de Begins e Cavaleiro das Trevas é justamente a seriedade do filme. Embora tenha efeitos especiais, não são filmes bobos, com histórias superficiais. Os personagens são problemáticos e reais, como qualquer um de nós.

Mas, na minha opinião, o destaque do filme é o Coringa. Personagem feito pelo ator Heath Ledger (um dos cawboys de O Segredo de Brokeback Mountain), falecido em janeiro deste ano, o Coringa assusta, diverte e faz pensar. É o típico desequilibrado, que rouba e mata sem motivos aparentes. Acho - não sou especialista em Batman, mas… - que esse é o melhor Coringa já feito até hoje. Não é porque o cara morreu, mas ele conseguiu fazer um vilão maquiado ser assustador e repugnante - como qualquer vilão deve ser - e não apenas ridículo e caricaturizado.

Quem são os heróis? Quem são os vilões? Quem está certo ou errado? Quais são os limites de cada um? Todas essas questões aparecem no filme. Recomendo, portanto.

Dúvida

De que jeito a gente pode entender o outro? Acho que esse é um dos maiores desafios de qualquer tipo de relação: o entendimento. Como entender a mudança repentina no comportamento de alguém? Como entender que aquela mesma pessoa que te fez um carinho num dia, ignorará o que tu sentes no outro. Tentar entender é o que enlouquece. Dói, arde, maltrata e não leva a lugar algum. Mas a gente fica tentando. A gente é tolo e fica tentando entender. Então de repente se irrita e pensa “não quero mais entender droga alguma, dane-se”. Mas, será mesmo que é a hora de desistir?

 

Nossa vida é uma sucessão de momentos nos quais precisamos tomar decisões. E nenhuma decisão é fácil. Escolher o que vestir antes de ir para o trabalho é difícil; escolher qual refeição pedir; qual cor de batom comprar; qual carreira seguir; escolher o que fazer com aquele amor que parece já não ter mais lugar…

 

Como podemos saber? Como saber a hora de escolher outro caminho? 

 

texto de abril/2008

Confessionário - o Bohn

Rubinho. É assim que muita gente o chama até hoje. É que o pai dele é o Rubens oficial. Pois é.

É com o Rubens Bohn, 26 anos, quase contador (?) a seção Confessionário de hoje.

Ele e eu nos conhecemos há uns 15 anos talvez. Muitas conversas em aula, risadas durante a tarde, aventuras e peripécias juvenis. E tudo sem sexo! Ninguém acreditava, mas sempre fomos muito amigos. SÓ amigos.

Rubens, em 2004
Uma palavra inspiradora: Trabalho 

Uma palavra desanimadora: Ódio

Uma saudade: Do meu tempo de 2º grau (tri velho), sem responsabilidades… 

Uma pessoa que você admire: Maria da Graça, minha mãe

Um lugar interessante: a minha cama, pois me sinto protegido, sou e faço feliz minha familia, um lugar de descanso, estudo e reflexão… 

O que é a amizade para ti? amizade é ligar para uma pessoa às 3h da manhã e esta te escutar, mesmo que sejam besteiras; amizade é gostar de estar com a outra pessoa; é admirá-la, aceitá-la com os seus defeitos e virtudes! 

O que é a felicidade para ti? é saber administrar as perdas, obstáculos e frustações de forma não tão negativa assim … e curtir minha família

Um arrependimento: não ter estudado mais no início da faculdade, quando tinha mais tempo e achava que não tinha. Já estaria formado…

Um hábito estranho que tu tenhas: lavar as mãos nos locais em que chego

Tens algum segredo que nunca contou a ninguém? é segredo!

Prato favorito: Mc Donald’s, Xis, Pizza, Cachorro-quente, ou seja, todos estes que tem um monte de calorias

Doce favorito: chocolate e gelatina

Passatempo predileto: computador, passeios ao ar livre

Um sonho: Conseguir conciliar/administrar bem todas as pontas de nossas vidas que considero importante:  saúde / trabalho / estudo/ familia / vida social / financeiro / espiritual

Como tu achas que os outros te vêem? Como um cara muito responsável (até demais), muito organizado e perfeccionista, quase chato, extrovertido e que nunca tem tempo para os amigos e parentes

Uma frase ou pensamento que te marcou: Sempre lemos várias mensagens interessantes de pensadores famosos ou jornalistas/escritores e sempre nos identificamos com alguma, mas uma frase que tenho certeza que me marcará pelo resto da vida será a do meu filho que diz sempre quando chego em casa: “Oi Pai, pai, pai!”  

Desafio do leitor

Ultimamente tenho passado por um período de pouca criatividade. Embora exista vida cerebral pós-TCC, confesso que ando sem idéias. Então, queridos e anônimos (ou não) leitores, estou esperando suas sugestões.

Deixe nos comentários um assunto sobre o qual gostaria que eu falasse. Pode ser qualquer coisa. Não que a minha opinião seja importante, mas até que a brincadeira é interessante, vai…

Até breve.

Tired and devoid*

Acho que vou parar com o blog.

Tá ficando muito “meu diário”. Não gosto disso.

Se bem que o blog é meu e nele eu escrevo o que quiser, certo?

Sei lá.

Acho que a sensação/certeza de que as pessoas lêem, e não me contam que lêem, às vezes me incomoda.

Não porque eu não queira ser lida, mas porque é estranho…

Não sei dizer o quanto.

É como se ficassem me assistindo de longe. Sabem que eu to caindo mas não me dão a mão pra levantar.

Não que alguém tenha essa obrigação… mas… entende?

Estou com dificuldades para escrever. Minha câmera fotográfica está criando teias de aranha. Sinto-me confusa. Fico pensando em cursos, pós, mestrado mas daí lembro que não tenho grana. E também lembro que após 21 anos de estudos ininterruptos, eu mereço um pouco de descanso. Mas ao mesmo tempo não quero ficar muito tempo parada. Porque não gosto e não consigo.

Às vezes a gente acha que assim que a faculdade terminar, terá tempo para curtir a vida. A real é que se fica meio perdido. O que fazer com as noites “livres” depois de um dia de trabalho intenso? Confesso que há dias em que minha única vontade é dormir. Em outros, tenho vontade de sair por aí… morar longe… sei lá. Tem outras vezes que só tenho vontade de deitar no colo dele e ganhar um cafuné… mas daí lembro que até isso tem sido difícil.

Até a formatura eu tenho um objetivo claro que é preparar tudo para tal momento. Depois de lá, já não sei. Crescimento profissional e tudo mais é óbvio. Obviamente buscarei isso. Já venho buscando desde sempre. Mas, como disse meu padrinho um dia, a gente sempre tem que ter um objetivo na vida. Se eu for parar pra pensar, tenho vários, claro. É preciso identificar os viáveis e buscar atingí-los de alguma forma. Desafios. O futuro está repleto deles.

Decidir por este ou aquele caminho não costuma ser fácil. Eu preciso tomar decisões se quiser ser feliz. Preciso sim. E estou tentando, eu juro…

* título em inglês pra enfeitar…

Textos bons

O sofrimento nasce da comparação.

Li a frase acima em uma reportagem da revista Vida Simples. Bateu lá no fundo. Sabe? Pois é. Essa semana eu ainda pensava no quanto a gente às vezes reclama de tudo e de todos, sem prestar atenção ao que realmente temos. Sem delongas no post de hoje, transcrevo abaixo parte da matéria:

Você não é perfeito

Por que desejamos (e raramente conseguimos) ter um corpo irretocável, um casamento de novela e um emprego de sonhos? A resposta pode estar na forma como nos relacionamos com o mundo à nossa volta

texto Elisa Correa | fotos André Spinola e Castro|ilustrações Milena Galli

No mês em que completaria 100 anos, Simone de Beauvoir ganhou de presente uma polêmica. Justo ela, que escandalizou o mundo em 1949 ao lançar O Segundo Sexo, livro que se tornou um dos pilares do movimento feminista. Para comemorar o centenário da escritora, a revista semanal francesa Le Nouvel Observateur escolheu para a capa uma foto onde a companheira de Jean-Paul Sartre aparece nua, de costas, arrumando os cabelos no espelho de um banheiro. Além das críticas recebidas pela exposição de um ícone feminista, a publicação da imagem gerou uma grande discussão por causa dos retoques feitos na foto, tirada em Chicago, em 1952. Para ficar mais apresentável e mais perto dos atuais padrões de beleza, Simone de Beauvoir foi submetida a uma sessão de Photoshop.

Se até a História precisa se adequar aos padrões vigentes, o que dizer de nós? Em um mundo onde a competição toma conta das relações, os modelos são sempre superlativos: precisamos ser os mais rápidos, desejamos ser os mais belos, lutamos para ser os mais fortes. Comparamo-nos o tempo inteiro, e parece que a perfeição está sempre no outro: no corpo da apresentadora de TV, na grande demonstração de afeto da namorada do vizinho, no empregão do ex-colega da faculdade.

Lê o resto aqui…

Agora sim!

Sabem que eu sou meio assim “ver para crer” né. Então que, mesmo sabendo que meu TCC estava bom e tudo mais, eu ainda tinha medo de que algo extraordinário e sobrenatural acontecesse na apresentação para a banca e que esse algo ocasionasse a minha reprovação. Sim, eu tinha medo. Eu sei, preciso acreditar mais em mim. Exercito-me diariamente em busca disso, eu juro!

O causo é que ontem falei 15 minutos estourados sobre as minhas 140 páginas de trabalho de conclusão. Na sala de aula da Unisinos estávamos Miro Bacin - meu orientador -, professores Paulo Ziegler e Lauro D’Ávila - avaliadores - eu, minha apresentação de power point e meu nervosismo. Apesar de ter ido para a universidade sentindo um embrulho no estômago, de meu maxilar estar duro como concreto, de bocejar sem parar enquanto dirigia, deu tudo certo. O carro não estragou, não fiquei trancada em engarrafamentos, cheguei meia hora antes e preparei tudo. Postei-me em frente deles e fiz o que tinha de fazer. E fiz bem. Se ninguém gava, o zeca gava, já diz o sábio ditado. Mas, justiça seja feita: os professores me elogiaram. Mais do que eu acreditava que pudesse ser elogiada. Olha o lance do acreditar em mim mesma de novo…

Alguns quilos a menos nas costas, felicidade no rosto e a aprovação com distinção - o que significa a nota máxima - escrita no papelzinho. Agora é só esperar o diploma!

“…você é uma pessoa linda, de sentimentos intensos e de uma luta grandiosa..”

Acredito que todo mundo tenha o seu valor. Cada um de nós tem talentos e qualidades, por mais que tenhamos defeitos. Ruim é quando deixamos que outras pessoas nos façam esquecer disso. E, perceba, muitas vezes a gente deixa.

Bom mesmo é quando, assim do nada, lemos ou ouvimos algo como aquela primeira frase ali. Eu sei que a crença e a perseverança devem partir de nós mesmos em primeiro lugar, mas é sempre bom ser reconhecido. Principalmente pelas pessoas que a gente ama.

Quem me disse tal frase foi um amigo muito querido. Uma pessoa que consegue enfrentar o cotidiano sem perder a doçura e sensibilidade. E como isso faz falta nas pessoas… a doçura e a sensibilidade.

Esse post não tem um motivo especial. Só me deu vontade de escrever.

Do frio e outras coisas mais

Dia desses, enquanto estava no banheiro da empresa, ouvi uma mulher comentar:

Frio é só pra rico!

Tem feito bastante frio aqui no Sul (leia-se Porto Alegre, de onde escrevo neste momento) e, enquanto algumas pessoas ovacionam o inverno, eu o abomino. Abomino este frio principalmente quando penso na quantidade de gente que dorme (?) nas calçadas, cobertas com uns poucos panos, sem meias ou qualquer outra roupa mais quente. Todo dia de manhã vejo alguma cena dessas.

Se eu, lá no quentinho da minha cama, sinto frio, imagine essas pessoas… Quando vejo esse tipo de coisa, fico me perguntando o que posso fazer, do alto da minha insignificância, para melhorar um pouco esse mundo cruel… Sinto, sempre, que faço muito pouco.

É fácil dizer que o inverno é uma maravilha quando a gente não pensa no que acontece além dos limites do nosso edredon, lareira, lençol térmico e aquecedor… Eu sei, se a gente for pensar em todas as desigualdades sociais, nunca poderia se permitir comer uma guloseima, dormir numa boa cama, fazer um passeio ou qualquer outra coisa que uma pessoa que viva com dignidade tem o direito de fazer. Mas eu cada dia mais me sinto menos confortável em reclamar ou festejar muito o frio ou o calor ou qualquer coisa que seja… É isso. Acho que a impotência diante de problemas tão grandes acaba nos deixando com vergonha de viver do nosso modo. Como se não tivéssemos direito de usufruir de algo básico, mas que outros não tem.

Minha mãe me disse noite dessas que juntou roupas e cobertores para levar a moradores de rua de Porto Alegre. Deve fazer isso esta semana. Não poderei ir, mas fiquei contente. Pelo menos podemos fazer um pouco por eles. É claro que fiquei preocupada também. Assim como existem pessoas de boa índole mas com más condições de vida, também existe a violência e a insegurança. E muitas vezes é por isso que as pessoas acabam se trancando no quentinho de suas casas: por medo. Não posso culpá-las, afinal. Enfim, disse a minha mãe para não ir sozinha e tomar cuidado…

O inverno mesmo começa hoje. Espero que ele não seja tão cruel conosco.

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